Formada em Porto Alegre, no ano de 2017, por quatro diferentes almas irmãs: Rafael Sampaio (voz), Bruno Farinon (baixo e voz), Brunno Biassusi (guitarra e voz) e Diogo Tavares (bateria), a banda equilibra a azia social com o calmo sonho de paz de todo o Brasileiro que, já sem pernas, precisa aprender a voar.

Até o momento, lançou três registros.

Em O Mago e o Lobo (2017), explora o orquestramento da desgraça pública que é tradição milenar e a conjunta ação entre os tantos magos e lobos — mensageiros e líderes, milícias e presidentes. A capa traz um tom fantasioso e artístico com uma obra de Felipe Navarro. No entanto, simboliza algo cru e real que impera e se perpetua com mística inquebrável.

Arquitetos (2018) mostra que nem só de sangue se pinta a favela. Nem só de crime é feito o favelado. A arte brota e ressoa nas cores infinitas de quem sobrevive ao espetáculo sádico dos verdadeiros criminosos. Gente que canta, sua, samba e constrói os sonhos dos outros, enquanto os seus próprios precisam aguardar. Na arte de JotaPê o som que vem de baixo é transformado em arte. Os arquitetos da música se denotam nas paredes e no olhar dos verdadeiros donos do país.

Já Brasis (2019) trabalha a ruptura e a fragmentação aparentemente derradeiras da pátria. Levanta questões de existência, essência e posse; denuncia a podridão da supremacia racial e de classe. Os tantos Brasis que guerreiam, os tantos povos que reivindicam posse da nação. E os poucos que realmente sangram e sofrem na prensa do poder, do fanatismo, e da pólvora. A arte de Leandro Cholant retrata a inescrupulosa — e milenar — ironia do estrangeiro que se faz dono de um território não seu, massacrando, escravizando, pulverizando, dominado e destruindo.

A banda se apresentou no último dia 20/10 no Bar Opinião.

Realização: Abstratti Produtora
Foto: Alex Vitola / @alexvitola

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