Morpheus’ Dreams – What Dreams May Come? (Um Metal por Dia)

Morpheus’ Dreams – What Dreams May Come?

O Morpheus Dreams, capitaneado pelo guitarrista Christian Buchhaas, lançou o seu primeiro álbum, intitulado “What Dreams May Come?”, em 2017

O registro, que traz uma série de convidados especiais, como o cantor Alirio Netto, o baterista Marcell Cardoso (ex-Karma), o baixista Bruno Ladislau (ex-Andre Matos) e a vocalista Fernanda Hay (do Over Alive), executa um metal sinfônico épico, cheio de nuances do powermetal e do metal progressivo.

Lançado de forma totalmente independente, o álbum foi produzido por Marco Nunes (do Chaosfear) e deixa claro como Buchhaas é um compositor talentoso, que busca fugir de todos clichês do estilo. As referências do flamenco, do tango e da música árabe, a presença da viola caipira e de outros instrumentos do regionalismo brasileiro e os contornos modernos proporcionados pelo teclado de Dio Lima dão a “What Dreams May Come?” um toque bastante particular.

Com uma riqueza de detalhes impressionante, o Morpheus’ Dreams não privilegia os elementos mais básicos no seu debut, deixando os riffs de guitarra em um segundo plano para que toda a sua a complexidade rítmica fique bastante visível. Sofisticada e impressionante pela maturidade do seu repertório, a obra de estreia do grupo paulista reúne composições interessantes e fora da curva, como “Lobo-Guará”, “Shakespeare’s Secret Garden”, “The Daughter of The Owls”, “Dream Awake”, “Sob o Sol” (cantada em português) e “What Dreams May Come?”.

Com canções que exploram abordagens totalmente diferentes entre si, “What Dreams May Come?” é um registro heterogêneo, mas que consegue se manter coeso dentro da sua proposta de agregar musicalidades distintas e inusitadas.

Se faltou um pouco de punch e de agressividade ao material, a ousadia do Morpheus’ Dreams é aquilo que mais se sobressai, em um disco que superou todas as expectativas e se tornou algo realmente transgressor dentro do metal nacional.




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