Julio Zanotta celebra 50 anos de carreira com lançamento de dez livros de sua dramaturgia

Pics Música e Cultura | Julio Zanotta celebra 50 anos de carreira com lançamento de dez livros de sua dramaturgia
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O evento, que acontece no dia 23 de setembro, no Teatro Renascença, contará ainda com performance de João de Ricardo para “Hino à Bandeira Com Galinha ao Molho Pardo” e exposições de fotos de Gilberto Perin e de cartazes e recortes de jornais sobre a trajetória do artista

No dia 23 de setembro (sexta-feira), Julio Zanotta autografa a coletânea de obras teatrais com dez volumes, lançada pela Editora Giostri, de São Paulo, especialista em dramaturgia brasileira. O evento, que inicia às 20h, no Teatro Renascença, é uma realização da Coordenação de Artes Cênicas da Secretaria Municipal de Cultura.

Julio Zanotta é um dramaturgo iconoclástico, transgressor, perturbador, mas tem uma escrita que cativa, porque é divertida e sensível ao mesmo tempo. O autor tem uma obra extensa que merece ganhar carne, para além da publicação. É teatro na veia”, diz Jessé Oliveira, coordenador de Artes Cênicas de Porto Alegre.

Na coletânea, estão as seguintes obras: Milkshakespeare, O Apocalipse segundo Santo Ernesto De La Hihuera, Baudelaire, Nietzche no Paraguai, Que Graça Tem Esfaquear o Travesseiro?, Ulisses no País das Maravilhas, Sonho de Valsa, A Ninfa Dragão, Louco, a Escola de Escritores, Lua de Mel Em Buenos Aires, A Mulher Crucificada, O Beijo Da Besta, o Homem Jaguar Pássaro Serpente, Para Atores Licenciosos e Diretores Libertinos 1, Para Atores Licenciosos e Diretores Libertinos 2 Teatro Cruel.

Além da sessão de autógrafos, o ator João de Ricardo apresenta uma performance de Hino à Bandeira Com Galinha ao Molho Pardo, com direção da Cia Espaço em Branco. A encenação é um elegante mimo lírico sobre o ultraje da contemporaneidade. “A primavera refloresce e ressuscita como as rosas de setembro no barbarismo cívico trivial. Uma récita farsesca, uma ejaculação contemporânea entre gemidos e soluços”, reflete Zanotta.

No hall do teatro, Gilberto Perin abre a exposição fotográfica Unhas Pintadas Também Arranham, que apresenta a eterna conduta irregular do articida Julio Zanotta e seu estranho mundo. Paralelo a isso, o próprio dramaturgo abre a mostra – como ele mesmo diz, “de antigalhas e velharias” – Hasta La Tumba Te Amaré, composta por dez painéis com cartazes, jornais da época, críticas, fotos antigas e referências emotivas de sua má criação.

A exposição nada mais é que um ouropel rococó coberto de talco e bugigangas”, brinca Zanotta. Segundo ele, “o evento será uma breve carona nas visões de andarilhos com a mochila cheia de cumplicidades. Uma noite sobre a natureza do teatro com atos cívicos alusivos à violência e camburões, assédios e sequestros”.

SOBRE O DRAMATURGO (sempre sóbrio, puro, casto, gentil, descortês, malcriado, insolente, inculto, viciado)
Julio Zanotta nasceu em Pelotas, em 18 de agosto de 1950. Seus personagens são sempre inconformadas e idealistas, que buscam a realização de utopias em relatos autobiográficos. Releguem em um segundo plano as questões ligadas ao imaginário convencional para evidenciar práticas de submissão e controle. Subverte a lógica sexista e cria uma obra feroz.

Utilizando sobretudo a sátira de estereótipos de gênero, seus textos exaltam a liberdade do corpo e a problematização de papéis sociais. Politicamente, o corpus das obras de Zanotta faz coro a estratégias narrativas em que a palavra surge para explicar e endossar o discurso crítico e rebelde. Sua obra pode ser considerada um potente exemplar do movimento de contestação realizado no Brasil, através da linguagem teatral.

Aos 20 anos era jornalista do Diário de Notícias, cursava Filosofia e se envolveu no movimento estudantil que lutava contra a ditadura. Em 1973, pela primeira vez, teve que deixar o país. Voltou em 1976 e foi um dos fundadores do grupo teatral Ói Nóis Aqui Traveiz.

Naquela época, os problemas com a repressão só pioraram. Depois da encenação de As Cinzas do General, em 1980, peça na qual assinava o texto e a direção, a perseguição a ele aumentou. Em 1981, Julio Zanotta deixou novamente o país, saindo pelo Acre com um passaporte falsificado, na companhia da então sua esposa, a atriz e bailarina Lisaura Andréia Souto. Ficou dois anos viajando pela América Latina, foi do Peru ao México apresentando em cada cidade a peça Marília, interpretada por Lisaura.

Em 1983, de regresso ao Brasil de um de seus dois exílios, viveu isolado numa cabana em plena Mata Atlântica, na Bahia, ao sul de Trancoso, então uma sonolenta aldeia de pescadores. Publicou vários livros, entre eles: Louco, E Nas Coxilhas Não Vai Nada?Teatro Lixo, O Apocalipse Segundo Santo Ernesto De La Higuera e A Ninfa Dragão.

Tornou-se um empresário do ramo livreiro e chegou a ter livrarias em Florianópolis e Curitiba. Julio Zanotta foi presidente da Câmara Riograndense do Livro, sendo o responsável pela modernização da Feira do Livro de Porto Alegre, a qual dirigiu por quatro anos. No ano de 1998, recebeu o título de Cidadão Honorário da cidade de Porto Alegre.

Ficha Técnica/ Performance
Direção:
 João de Ricardo, Anildo Bois, Sissi Venturin e Eduardo D’Ávila
Piano: Rodrigo Fernandez
Realização:
 Cia. Espaço em Branco

SERVIÇO
Lançamento da Coleção Teatro de Júlio Zanotta
Abertura da exposição fotográfica Unhas Pintadas Também Arranham
de Gilberto Perin
Abertura da exposição Hasta La Tumba Te Amaréde Julio Zanotta
Quando: 
23 de setembro | Sexta-feira| 20h
Onde: 
Teatro Renascença (Avenida Erico Veríssimo, 307 – Menino Deus)
ENTRADA GRATUITA

Assessoria de Imprensa:
Roberta Amaral

Foto:
Gilberto Perin

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