Primeiro satélite puramente artístico do Sul Global terá exposição em Porto Alegre antes de ser lançado literalmente ao espaço

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Quem pode entrar no céu? Esta é a pergunta proposta pelo artista Edson Pavoni (SP) em sua obra Templo Orbital

Criador do Memorial Inumeráveis (2020), um memorial online para vítimas do coronavírus no Brasil, ele chega à Bienal do Mercosul com uma obra tecnológica formada por um satélite, que ficará em órbita da Terra – antena terrestre e um website -, onde o público poderá enviar ao céu o nome de alguém que já faleceu. A obra pode ser visitada de 15 de setembro a 20 de novembro, no Farol Santander.

No dia 15 de setembro (quinta-feira), o artista paulista Edson Pavoni estreia na 13ª Bienal de Artes do Mercosul (Farol Santander), com Templo Orbital. O satélite mede 5cm x 5cm x 30cm, pesa aproximadamente 245g e é feito com PCBs, componentes eletrônicos e luz de LED. Já a antena tem 120 cm de diâmetro, cerca de 2 cm de altura e pesa 5kg. Além do satélite e da antena, a escultura é composta por um website.

Em fevereiro de 2023, a obra será lançada pelo foguete Falcon9 da SpaceX, orbitando o planeta por cerca de dez anos, carregada de bilhões de nomes de seres sencientes falecidos, sejam eles humanos e não-humanos (animais). Junto ao Templo Orbital, que foi selecionada pelo Lumen Prize 2022 – Futures Award e venceu na categoria ArtSat do Prêmio CubeDesign 2021, promovido pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE), haverá um QR Code para o site do projeto, onde serão registrados os nomes de quem irá viajar pelo espaço.

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Pode não ser algo constante na mente, mas as nossas crenças sobre o que acontece após a morte moldam o nosso dia a dia. Essas crenças estão na nossa cultura e até nas nossas leis. E se a nossa ideia em comum de paraíso fosse radicalmente mais inclusiva? Quão diferente seria a vida na Terra? Esse ‘imaginário’ me levou à criação de um templo no espaço, que encoraja a questionar a colonização simbólica do céu como paraíso, a origem das regras que abrem os fecham seus portões e a influência que essas crenças têm nas decisões que tomamos todos os dias. Templo Orbital ainda busca expandir o debate sobre como o acesso a tecnologias espaciais pode ser uma ferramenta para reduzir a desigualdade no Sul Global e para ajudar a lutar contra ameaças compartilhadas, como a crise climática global, preservando o mundo que de fato ainda temos“, explica Pavoni.

A ANTENA: UMA ESCULTURA PÚBLICA PARA VIAJAR O GLOBO
A antena que estará em comunicação direta com o satélite em órbita é também uma escultura de larga escala, que poderá ser instalada em qualquer lugar do mundo. Com uma superfície dourada e refletiva, espelhado o céu acima, é um ponto de partida para discussões aprofundadas sobre a nossa relação com a exploração do espaço sideral, sobre a vida após a morte e sobre o papel da arte em moldar novos imaginários para um futuro em constante transformação.

A tecnologia desenvolvida para a missão Templo Orbital será open source (código aberto) e estará disponível em português, inglês e espanhol, incentivando o avanço da exploração espacial pelo Sul Global. Novas missões e projetos podem usar a obra como base para desenvolver seus próprios experimentos artísticos ou científicos.

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Todas as emissões de carbono serão neutralizadas, incluindo as do lançamento e de fabricação do satélite. Com plano de reentrada de uma década, o objeto não deixará nenhum rastro material no espaço.

SOBRE O ARTISTA
Edson Pavoni (São Paulo, 1984) é um artista e tecnologista brasileiro que propõe imaginários sensíveis para a relação entre tecnologia e humanidade. Sua prática inclui a criação de instalações públicas e interativas em escala arquitetônica, fotografia, poesia e plataformas digitais colaborativas.

Em 2013, sua instalação A Place do Departure rompeu o Grande Firewall da Internet, na China, e conseguiu conectar as pessoas de Pequim e São Paulo. Dois anos depois, essa mesma obra foi instalada em dois bairros diferentes de Dubai, como parte da Semana de Arte e Design de Dubai.

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Com trabalhos em exposição permanente em espaços públicos da cidade de São Paulo, Pavoni está também no Museu Ludwig de Arte Contemporânea em Budapeste, com Invisible Blue (2020), uma instalação de luz feita em colaboração com o cientista Albert-Laszlo Barabási.

Assessoria de Imprensa:
Roberta Amaral

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