Mystifier – Göetia (Um Metal por Dia)

Mystifier – Göetia

O Mystifier, um dos expoentes do metal extremo nacional, soltou em 1993 aquela que pode ser considerada a sua maior obra-prima

O grupo baiano, liderado pelo guitarrista/baixista Armando “Beelzeebubth” Conceição, escreveu definitivamente o seu nome na história da música pesada brasileira quando “Göetia” chegou às lojas, tanto aqui como lá fora.

Se a agressividade de “Wicca” (1992) chamou a atenção de muita gente e causou um certo desconforto por conta da sua produção rústica, o segundo disco do quinteto de salvador superou todas as expectativas. O death/black metal executado pela banda, além de ganhar um contorno muito mais técnico se comparado com o seu antecessor, também impressionou os headbangers por causa do seu direcionamento sujo e macabro.

Com canções extensas e repletas de mudanças de ritmo, “Göetia” não dá vazão somente à raiva, mas cria uma aura fúnebre e atmosférica, ao se aproveitar dos riffs arrastados à lá Doom Metal e de algumas linhas de teclado, típicas da segunda onda do Black Metal europeu. Tendo o vocalista Arnaldo Asmodeus e o baterista Lucifuge Rofocale também como destaques individuais, o Mystifier evidenciou toda a sua maturidade aqui, se colocando na vanguarda de um estilo que aos poucos ia conquistando o seu espaço no nosso país. Obscuro, brutal e desconcertante, o álbum tem como destaque as faixas “Aleister Crowley & Ordo Templi Orientis”, “An Elizabethan Devil Worshipper’s Prayer Book”, “The Sign of The Unholy Cross”, “The Realm of The Antichristus”, “Cursed Excruciation” e “The Baphometic Goat of Nights Templar in The 12h Century”.

Menos primitivo e mais estruturado, “Göetia” também é um divisor de águas na linha evolutiva do heavy metal brasileiro, sendo considerado o primeiro passo que o death/metal black metal tupiquim deu em direção à excelência internacional conquistada nos anos 2000.




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