Arte Pública – Território, Memória, Criação e Formação é um novo projeto que o Ói Nóis Aqui Traveiz apresenta ao longo de 2022

Com uma linha do tempo que abrange quase cinco décadas e dezenas de espetáculos, o grupo é dos mais importantes e longevos do Brasil

A arte pública exatamente como deveria ser, acessível a todos, independente de classe, etnia, raça, gênero e demais marcadores sociais. Esta é a proposta do Ói Nóis Aqui Traveiz desde sua criação, ainda nos anos 1970, e neste 2022 chega forte e revigorada. O projeto Arte Pública, que ocupará a Terreira da Tribo e outros espaços culturais ao longo de 2022,se divide em quatro eixos – Território, Memória, Criação e Formação – e trará atividades diversas, gratuitas, híbridas (presenciais e virtuais) e acessíveis, utilizando LIBRAS e site com recursos para baixa visão e daltonismo. As atividades se iniciam com as apresentações de Violeta Parra – uma atuadora, dia 6 de setembro, 4 e 8 de outubro; a Desmontagem Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência, dias 12 e 13 de setembro; Quase Corpos: Episódio 1 – A Última Gravação, dias 19 e 20, 26 e 27 de setembro; e, por fim, a performance Manifesto de Uma Mulher de Teatro, dias 3 e 10 de outubro.

O eixo ‘Território’, com trocas de saberes e residências artísticas da Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, criará uma rede em parceria com outros territórios culturais do RS, incluindo a capital, Maquiné e Triunfo. ‘Memória’ realizará ações para a musealização do acervo do grupo teatral, que completou 44 anos de trajetória e foi condecorado com a Ordem do Mérito Cultural no ano de 2015, assim como a pesquisa, sistematização e publicação sobre a memória de grupos teatrais com longa trajetória de trabalho continuado no Brasil. A ideia é chegar em crianças, jovens e adultos, desde pessoas que nunca tiveram contato com o teatro até profissionais ligados a coletivos longevos de teatro. Todas as atividades são gratuitas, o que garante que pessoas de baixa renda possam acessar e usufruir de ambientes de aprendizagem e qualificação profissional e cidadã.

O projeto se desdobra ainda em ‘Criação e Formação’ que propõe a pesquisa e criação de um novo espetáculo do grupo e seu compartilhamento por meio de laboratórios de criação e temporada de apresentações e, ainda, ações de iniciação, formação, capacitação e qualificação teatral, com oficinas na Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz e em bairros populares da região metropolitana de Porto Alegre. No Grêmio Esportivo Ferrinho/Ponto de Cultura, na Associação Renascer da Esperança e no Centro de Educação Ambiental/Reciclagem, serão realizadas oficinas de iniciação teatral e formação de grupos culturais. Todos esses espaços, estão localizados em bairros populares da capital gaúcha, em distintas regiões, com grande carência econômica, espaços esses que fomentam diferentes atividades para as suas comunidades. Integrando esse eixo da criação e formação, está previsto o webinário “Do Jogo a cena – Construindo Aprendizagens“, realizado com a participação de professores e pesquisadores de todo o país ao final das oficinas, e, ainda, o webinário “Processos criativos em teatro – dialogando com nossos mestres“, com artistas e pesquisadores de teatro no Brasil, previsto para acontecer na época da estreia do novo espetáculo de Teatro de Rua do Ói Nóis Aqui Traveiz. Ambos acontecerão de forma virtual com transmissão direta pela internet.

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Uma troca com grupos brasileiros também é parte importante desse projeto. O ‘Intercâmbio com os Grupos Teatrais longevos’ será realizado nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, com entrevistas e rodas de conversas sobre o processo de preservação da memória imaterial dos mais importantes grupos destas cidades. Em São Paulo, os pesquisadores da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz visitarão as sedes dos grupos Teatro Oficina, Sobrevento, Engenho Teatral e Pombas Urbanas. No Rio de Janeiro o trabalho será realizado nas sedes do Tá Na Rua e do Ensaio Aberto. Em Belo Horizonte o encontro será realizado no Galpão Cine-Horto, sede do Grupo Galpão. Como desdobramento desta ação, será realizado em ambiente virtual o webinário “Tear – Tecendo a Rede de Memória“, que contará com a participação de representantes dos sete grupos teatrais visitados.

Para iniciar esta importante iniciativa de fortalecimento das artes cênicas brasileiras, a Terreira da Tribo receberá grande número de atividades, assim como os territórios culturais envolvidos, fortalecendo a cadeia produtiva, qualificando trabalhadores das artes cênicas, na sua maioria de bairros populares, por meio de oficinas oferecidas de forma gratuita e de residência artística remunerada. Já o legado do eixo Memória é de valor inestimável, pois além de culminar na criação do primeiro museu de um coletivo teatral do Brasil, abrirá o precedente, para que outros se motivem a preservar a memória da cena brasileira.

Mostra de repertório da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz / Programação
Dia 6 de setembro, 4 e 11 de outubro – Violeta Parra Uma Atuadora
Dias 12 e 13 de setembro – Desmontagem Evocando os Mortos Poéticas da Experiência
Dias 19 e 20, 26 e 27 de setembro – Quase Corpos: Episódio 1 – A Última Gravação
Dias 3 e 10 de outubro – Performance Manifesto de Uma Mulher de Teatro

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SINOPSES:
A performance cênico musical “Violeta Parra – Uma Atuadora” se solidariza com o povo chileno neste momento de luta por melhores condições de vida e apresenta um repertório que mistura o andino com ritmos brasileiros na voz da atuadora Tânia Farias e do violonista e compositor Mário Falcão. Com esse viés mestiço a performance veste as canções deste ícone da arte da América do Sul. Violeta Parra cantora e violonista desde criança, pesquisou ritmos, danças e canções populares, transformando-se em ponta de lança do movimento da “nueva canción” que projetou a música chilena no mundo. Conhecida no Brasil principalmente pelas composições “Gracias a la Vida” e “Volver a los 17”, seu legado é inestimável para a música engajada latino-americana. Sua história foi contada em 2011 no filme “Violeta foi para o Céu”, do diretor Andrés Wood.

Desmontagem é um conceito novo no cenário cultural e se constitui como uma linguagem híbrida entre o espetáculo teatral e a reflexão teórica sobre a obra. A desmontagem ‘Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência’, com concepção e atuação de Tânia Farias, refaz o caminho da atriz na criação de personagens emblemáticos da dramaturgia contemporânea. Constitui um olhar sobre as discussões de gênero, abordando a violência contra a mulher em suas variantes, questões que passaram a ocupar centralmente o trabalho de criação do grupo Ói Nóis Aqui Traveiz. Ao seguir a linha de investigação sobre teatro ritual de origem artaudiana e performance contemporânea, a desmontagem de Tânia Farias propõe um mergulho num fazer teatral onde o trabalho autoral do ator condensa um ato real com um ato simbólico, provocando experiências que dissolvam os limites entre arte e vida e ao mesmo tempo potencializem a reflexão e o autoconhecimento. No desvelamento dos processos de criação de diferentes personagens, criadas entre 1999 e 2011, a atriz nos mostra quanto as suas vivências pessoais e do coletivo Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz atravessam os mecanismos de criação. Hoje, no Brasil, a ideia de desmontagem vem sendo debatida, e o Ói Nóis Aqui Traveiz é um dos condutores. “Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência” circulou por diversas cidades do país e foi apresentada em Cuba, na Argentina e Portugal. A concepção e atuação é de Tânia Farias e a luz é de Lucas Gheller.

‘Quase Corpos: Episódio 1 – A Última Gravação’ foi criada em meio à pandemia, como audiovisual para ser transmitido em plataforma virtual e em 2022 ganha a forma presencial. Quase Corpos é um estudo do teatro de Samuel Beckett que revela a fragmentação do corpo físico, psíquico e das relações sociais. Temas como solidão, sofrimento, fracasso, angústia, absurdo da condição humana e morte são abordados a partir da pesquisa de linguagem e do trabalho autoral que os atuadores desenvolvem. A encenação, versão livre da peça Krapp’s Last Tape, mostra o confronto de um homem de 69 anos com o seu passado. O velho homem escuta num antigo gravador a fita-registro de 30 anos atrás. Escuta sua própria voz narrar extintas aspirações, lembranças de amores perdidos, a morte da mãe, a esperança não confirmada de êxito comercial literário. Memórias de fracassos, declínio e dissipação. Quase corpos é uma encenação coletiva, com atuação de Paulo Flores, figurino e adereços de Tânia Farias, cenografia de Eugênio Barboza e Tânia Farias, iluminação de Clélio Cardoso e Lucas Gheller, sonoplastia e operação de luz e som de Roberto Corbo.

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‘Manifesto de Uma Mulher de Teatro’ parte da personagem Ofélia, de um dos textos mais contundentes da dramaturgia contemporânea, Hamlet Machine de Heiner Müller – marcante na trajetória da atriz Tânia Farias -, a performance traz ao centro da arena a vociferação contra a engrenagem de violências às quais mulheres são continuamente submetidas. Jogar luz sobre mulheres, evocá-las, contar suas histórias é a motivação central dessa ação ainda em construção. As mulheres que cruzam o caminho da atriz compõem o texto manifesto que abraça a performance de Tânia Farias.  Vozes como a de Violeta Parra, Gioconda Belli e da própria atriz, que ousa contar detalhadamente sua história pessoal de violência sofrida e intercruzar com outra real, a de Magó, bailarina barbaramente violentada e assassinada em 2020, ao qual a atriz presta homenagem. Um ato político contra a violência de gênero, uma nova etapa de construção da reflexão dessa mulher de teatro num momento tão trágico, de autorização de todo tipo de barbárie contra mulheres, negros, lgbtqia+ e tudo o que o conservadorismo dessa elite atrasada considera uma ameaça ao seu projeto de morte, de não corpo e de não felicidade.

Arte pública – Território / Memória / Criação / Formação
Um projeto do grupo Ói Nóis Aqui Traveiz
Estreia dia 06 de setembro, 20h, com Violeta Parra, uma Atuadora
Terreira da Tribo – Rua Santos Dumont, 1186
Entrada franca

Arte Pública tem apoio da FUNARTE com recursos da emenda da Deputada Federal Fernanda Melchiona

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Assessoria de Imprensa:
Bebê Baumgarten Comunicação

Fotos:
Vivian Gradela e Keter Velho

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