O espetáculo “Encerramento do amor” realiza turnê pelo Brasil

A versão brasiliense da peça abriu turnê em São Paulo, passou por Belo Horizonte, Recife e Salvador, e estará em Porto Alegre dias 16, 17 e 18 de agosto, às 20h, na Sala Álvaro Moreyra

Encerramento do Amor” é a versão brasiliense da obra Clôture de l’Amour do dramaturgo francês Pascal Rambert. Encenada pela primeira vez no Festival de Avignon em 2011, a montagem recebeu o Grand Prix de Literature Dramatique em 2012, assim como o prêmio de melhor atriz e autor no Palmarés du Théâtre 2013.

Após a temporada francesa, surgiram diversas versões, com atores de diferentes culturas e línguas. O desejo de montar uma versão brasiliense veio da atriz Ada Luana, que via na ousadia do texto não somente um dos maiores desafios que enfrentaria como intérprete, mas também a potencialidade das relações humanas.

Tratar o tema de um amor que vive seus últimos suspiros diante do público, por meio de um duelo de palavras, lhe pareceu uma boa maneira de colocar em questão a nossa capacidade de escuta, de diálogo, de compreensão e acolhimento do outro. Questão essa que achou eloquência perfeita nos tempos que estamos vivendo hoje no atual contexto político-social do Brasil. “Encerramento do Amor” iniciou turnê em São Paulo, passou por Belo Horizonte, Recife e Salvador e chega aos palcos de Porto Alegre dias 16, 17 e 18 de agosto, na Sala Álvaro Moreyra. A montagem tem direção de Diego Bresani, tradução de Marcos Vinícius Borja e traz no elenco Ada Luana, João Campos, Taís Felippe.

Dentro de uma grande sala, uma mulher e um homem se falam. É ele quem começa a conversa. Ela escuta, atenta, e lhe responde com um segundo monólogo. Eles evocam sua separação, falam do antes e do agora. Pascal Rambert não traz uma resposta pronta à questão: “Quem amamos quando amamos?”. Ele circula pelas possibilidades. Ele não nega os clichês dos quais se utilizam, pelo menos uma vez, aqueles que se separam, que procuram uma razão para o desamor, que revivem suas memórias, as embelezando antes de destruir tudo com algumas frases assassinas. O rio ininterrupto de palavras, as questões-respostas que se ligam, a respiração contida em uma espécie de maratona entre o medo e a libertação: é aqui, no coração deste momento doloroso, que Pascal Rambert nos coloca. Na brutalidade de um verbo onipresente, no rigor inacreditável de uma escrita fria e mortal se manifesta um combate impiedoso. Ele ataca e Ela deve lutar contra o desaparecimento que ele quer lhe impor. Eles têm armas iguais, mas não as utilizam da mesma maneira. Há o masculino e o feminino. Há dois olhares, dois silêncios, dois discursos para dizer a violência de um amor que morre.

A pesquisa do diretor, ator e fotógrafo Diego Bresani e dos atores Ada Luana e João Campos sobre a obra de Pascal Rambert se debruça sobre o verbo e a escuta como elementos estruturantes na construção da narrativa e condução da expressividade no palco. O formato contemporâneo proposto pela encenação do texto francês – uma discussão que precede o fim de um relacionamento onde apenas uma pessoa fala ininterruptamente, em dois rounds separados por um breve número de sapateado – remete o espetáculo a uma intensa paisagem sonora. A distância entre os corpos no palco, a limpeza e simplicidade do figurino e cenografia e a iluminação fria reforçam e conduzem o foco da experiência cênica ao trabalho dos atores, ao ato de falar e de ouvir.

Encerramento do Amor” estreou no Festival Internacional de Brasília Cena Contemporânea em 2017, no Centro Cultural Banco do Brasil. Ainda em 2017 realizou temporada no Teatro Sesc Garagem. Em 2019 participou no FTB – Festival do Teatro Brasileiro, em Recife. Recentemente iniciou turnê brasileira passando por São Paulo, onde foi acolhido pelo público.

SOBRE O AUTOR
Pascal Rambert foi diretor do Théâtre de Gennevilliers (T2G), o qual transformou em Centro Dramático Nacional de Criação Contemporânea, dedicado ao teatro, dança, ópera, arte contemporânea, cinema e filosofia. Suas criações são apresentadas internacionalmente e seus textos já foram traduzidos para diversas línguas. Suas obras são apresentadas nos principais festivais da Europa: Montpellier, Avignon, Utrecht, Berlim, Hamburgo, Nova York e Tóquio. Pascal Rambert encenou também várias óperas na França e nos Estados Unidos. Dirigiu curtas-metragens que foram selecionados e premiados em festivais em Pantin, Locarno, Miami e Paris.

SOBRE O DIRETOR
Diego Bresani dirigiu diversos espetáculos, entre eles A História do Jardim Zoológico (2006), classificado entre as dez melhores peças do ano em São Paulo pela Revista Veja. No mesmo ano foi indicado ao prêmio de Melhor Direção – Prêmio Sesc de Teatro Candango. Dirigiu a trilogia sobre a violência da Cia. Setor de Áreas Isoladas, composta pelos espetáculos Vialenta, Terapia de Risco e Qualquer coisa eu como um ovo. Todas as peças foram indicadas aos prêmios de Melhor Direção e a Melhor Espetáculo (Prêmios SESC), nos anos 2010, 2012 e 2013 respectivamente, e estiveram entre os principais festivais do país. Com as peças viajou para diversos festivais no Brasil, entre eles o Janeiro de Grandes Espetáculos em Recife. Diego também trabalha com fotografia e iluminação teatral profissionalmente desde 2001, se destacando com a iluminação de A Moscou!. Realizou exposições individuais, entre elas, a AccessAbility no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul e mais tarde no Congresso Nacional, Respiro – retratos 01 na Galeria Athos Bulcão, em Brasília, onde comemorava 10 anos de carreira. Criou e fotografou juntamente com Gabriel F. a campanha de comunicação da Comédie de Saint-Étienne na França. Em 2015 realizou a exposição individual Tuer/Matar na Galeria Alfinete, Brasília, e a exposição Théàtre no Conservatoire Supérieur d’Art Dramatique, Paris, França. Fotógrafo e diretor de teatro, graduado em Artes Cênicas pela Universidade de Brasília em 2006, iniciou sua carreira de direção como assistente de Antônio Abujamra e Hugo Rodas no espetáculo Os demônios que teve temporada no CCBB (Brasília e Rio de Janeiro). Recentemente integrou a série A benção, dirigida pelo gaúcho Emiliano Cunha e Davi de Oliveira.

FICHA TÉCNICA:
Direção: Diego Bresani
Texto: Pascal Rambert
Tradução: Marcus Vinícius Borja
Elenco: Ada Luana, João Campos, Taís Felippe
Iluminação: Diego Bresani
Fotografia: Henri dos Anjos
Cenografia e Figurinos: o grupo
Produção: Taís Felippe
Realização: Companhia Setor de Áreas Isoladas

SERVIÇO:
O que: ENCERRAMENTO DO AMOR
Quando: Dias 16, 17 e 18 de agosto (terça a quinta), 20h
Onde: Sala Álvaro Moreyra / Centro Municipal de Cultura – Av. Erico Verissimo, 307
Ingressos no local, uma hora antes de cada apresentação: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia)

Assessoria de Imprensa:
Bebê Baumgarten Comunicação

Fotos:
Henri dos Anjos


Sobre o autor