Sortilege – Larmes De Héros (Um Metal por Dia)

Sortilege – Larmes De Héros

Mesmo com uma trajetória curtíssima, o Sortilege foi um dos nomes pioneiros do Heavy Metal francês

O grupo, que permaneceu em atividade de 1981 a 1986 e soltou apenas dois discos, executava um heavy tradicional cheio de referências do power metal melódico, mas com o diferencial de utilizar o idioma de Napoleão Bonaparte em todas as letras.

Após a boa repercussão do debut “Métamorphose” (1984), Christian Augustin (vocal), Stéphane Dumont e Didier Demajean (guitarras), Daniel Lapp (baixo) e Bob Snake (bateria) retornaram ao estúdio, dois anos depois, para dar vida às nove faixas de “Larmes de Héros”. O registro é menos agressivo que o seu antecessor, mas muito melhor construído em torno dos seus riffs diversificados, das suas melodias pegajosas e da sua vibe totalmente old school.

O Sortilege, que se apresentou em alguns dos principais festivais da Europa durante a turnê de “Métamorphose”, adquiriu muita experiência na estrada e deixou tudo transparecer naquela que é considerada uma das obras-primas do heavy metal na frança. Com um suporte fraquíssimo da sua gravadora na época, o quinteto de Paris não superou as suas próprias expectativas e decidiu encerrar a sua carreira. Se as letras em francês causavam uma certa estranheza entre o público, a tentativa de regravar “Larmes De Héros” em inglês (“Hero’s Tears”) também não deu certo, vendendo menos que a sua edição original.

Apesar de todos os contratempos comerciais, o que fica do segundo disco da banda são as suas ótimas canções, que incorporam um pouco do Hard Rock e da N.W.O.B.H.M. com muita desenvoltura. “La Hargne Des Tordus”, “Chasse Le Dragon” (que dá vontade de ficar ouvindo em looping), “Le Dernier Des Travaux D’hercules”, “La Montagne Qui Saigne” e “Messager” são os principais destaques do material, que ainda tem o mérito de intercalar composições diretas com faixas mais extensas e lapidadas.

O Sortilège, que depois de algumas disputas judiciais foi reformulado em torno de Augustin, voltou aos holofotes com um novo álbum no último mês de agosto, com o sugestivo título de “Phoenix”.




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