Riot – Fire Down Under (Um Metal por Dia)

Riot – Fire Down Under

O Riot, que tinha tudo para despontar durante a década de 80, é mais uma banda que não conseguiu se firmar, depois de tantos altos e baixos.

O grupo norte-americano, criado em torno do guitarrista Mark Reale, lançou alguns discos bem legais, lá no começo da sua carreira, mas não foi capaz de manter uma boa linearidade.

O terceiro registro do quinteto de Nova York, chamado “Fire Down Under“, é certamente o item mais valioso da sua discografia.

Lançado em 1981, quando o Riot ainda contava com o ótimo vocalista Guy Speranza (vítima de um câncer em 2003), o álbum é marcado pelo seu repertório maduro, que transita entre o heavy tradicional da New Wave of British Heavy Metal (N.W.O.B.H.M.) e o hard rock.

Ainda sem agregar os elementos de power metal que iriam aparecer com frequência no decorrer da sua trajetória, a banda teve o mérito de se colocar, mesmo com um trabalho de sonoridade relativamente simples, no top 50 da Billboard, numa época em que a música pesada ainda não tinha tanta popularidade.

Fire Down Under“, gravado em apenas dois meses, é mais uma obra do Riot que traz o inusitado mascote no grupo na capa, uma espécie de foca bebê com corpo humano.

Com o suporte da Elektra, uma das grandes gravadoras do mundo naquele momento, a banda precisou de apenas 37 minutos para mostrar toda a sua capacidade técnica e todo o seu talento para criar músicas grudentas, com melodias alto-astral e com um trabalho impecável de guitarras, assinado por Reale e Rick Ventura, que deixaria a banda depois do seu maior sucesso.

Direto e diversificado no que diz respeito a riffs, o disco tem canções animadas e muito interessantes, como “Swords And Tequila“, “Fire Down Under“, “Don’t Bring Me Down“, “Don’t Hold Back” e “Run For Your Life“.

Inspirado e construído de maneira coletiva, em que todos os instrumentistas também mostram os seus dotes como compositores, “Fire Down Under” é um álbum completo, que retrata o melhor momento de um grupo que, mesmo cheio de boas intenções, não conseguiu sair do underground.

Depois da morte de Reale, em 2012, o Riot passou a se chamar Riot V e segue em atividade até hoje, mas sem nenhum integrante da época que o seu melhor disco foi gravado.





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