Body Count – Bloodlust (Um Metal por Dia)

Body Count – Bloodlust

Apesar de passar a maior parte do tempo na sombra do rapper Ice-T, o Body Count conseguiu engrenar na última década, lançando três discos em seis anos.

O grupo, que iniciou a sua trajetória em 1992, já teve longos períodos de inatividade, em que a sua principal referência pode se dedicar a outros projetos.

Com influências do thrash, do hardcore, do punk e do rap metal, a banda soltou um dos seus melhores trabalhos de estúdio em 2017.

Bloodlust“, sexto item da discografia do Body Count, é um dos registros mais pesados, raivosos e engajados do grupo de Los Angeles, que nasceu com o pretexto de dar vazão às ambições metálicas de Ice-T, um fã do gênero.

O disco, distribuído pela Century Media, alcançou boas posições nos charts da Billboard e de outros países, conquistando um troféu no Grammy 2018, na categoria “Best Metal Performance“.

Tratando de temas urgentes, como o racismo e as desigualdades que assolam os Estados Unidos, “Bloodlust” é um trabalho consciente, político e que tem o poder de fazer qualquer headbanger refletir sobre o que é abordado suas letras.

Além de Ice-T, os guitarristas Ernie C. e Juan também desempenham as suas funções de maneira memorável, sendo a dupla responsável pela ótima vibe heavy metal do disco.

Se por conta própria o Body Count fez tudo de maneira correta, a participação especial de Dave Mustaine, Max Cavalera e D. Randall Blythe só abrilhantam o resultado final do álbum, que ainda foi eleito pela Loudwire e pela Rolling Stone um dos 20 melhores lançamentos de 2017.

Civil War“, “The Ski Mask Way“, “This Is Why We Ride“, “All Love Is Lost” e o medley em homenagem ao SlayerRaining Blood/Post-Mortem” são alguns dos destaques, todas faixas com riffs extremamente agressivos, fórmulas construtivas relativamente simples e com uma performance cheia de energia de Ice-T ao microfone.

Além dessas, “No Lives Matter” (talvez a melhor composição de toda a obra) e “Black Hoodie” também se sobressaem, ao ponto de tomarem a dianteira entre os candidatos a hit.

Direto e sem frescuras, “Bloodlust” não almeja uma perfeição sonora, mas consegue passar a sua mensagem.





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