Santo Festeiro” é o primeiro single do álbum Não Se Cala. Com lançamento previsto para 2021, o álbum é o primeiro registro oficial do grupo Três Marias e foi gravado e mixado por Wagner Lagemann e produzido por Guilherme Ceron no estúdio da Pedra Redonda entre 2018 e 2020 e masterizado por Kátia Dotto.

A toada (forma como são chamadas as canções de Bumba-meu-boi) é uma composição de Dessa Ferreira e Gutcha Ramil, integrantes e fundadoras do grupo, em parceria com Tião Carvalho, importante personalidade na difusão e fortalecimento da cultura maranhense em todo o Brasil.

Formado atualmente por cinco mulheres multi-artistas e pesquisadoras, o grupo homenageia, neste lançamento, o Bumba-meu-boi (manifestação tradicional mais popular no estado do Maranhão) e reverencia, através da pessoa de Tião Carvalho, todos os mestres e mestras de cultura popular que preservam e transmitem saberes ancestrais culturais por todo o Brasil.

No videoclipe que acompanha o single, vemos o pandeirão como instrumento musical representativo e inspirador: ele é o satélite que ilumina a cidade-miniatura. Na produção audiovisual, contemplada pelo edital Sesc Cultura Convida!, a câmera perpassa as casas e as ruas imaginárias de São Luís, com o intuito de homenagear essa cidade tão importante na vida e na formação artística de Tião Carvalho, Ana Maria Carvalho e Graça Reis, três artistas que são consideradas mestre e mestras pelo grupo.

Crédito: Nara Oliveira

O lançamento de “Santo Festeiro” é único e diverso: traz consigo a mistura de linguagens artísticas como música, artesanato em miniatura, produção audiovisual, teatro de sombras e animação 3D. As miniaturas confeccionadas exclusivamente para o clipe são de autoria de Thayan Martins, integrante do grupo que também assina a direção e a montagem do vídeo:

Sempre gostei de trabalhos manuais, o que me motivou a criar cenários em miniaturas neste período de isolamento e realizar vídeos. Em “Santo Festeiro” tive o prazer de confeccionar as casas, fachadas, ruas… abordando a tradição maranhense e seus lugares. Tive sorte de ter comigo profissionais que colaboraram muito para que a ideia de roteiro e clipe saíssem da imaginação e viessem para o visual, e acho que chegamos bem perto, foi um processo muito bonito, com muita aprendizagem e desafios.” (Thayan Martins)

Inserir os personagens mágicos do Bumba-meu-boi dentro do cenário em miniaturas, como o Boi e o Vaqueiro, foi uma das motivações para inserir a animação 3D e o teatro de sombras, criado também através da computação gráfica. Esta transposição para o mundo virtual foi criada por Tomás Piccinini que, inspirado nas histórias contadas por Tião e nas características visuais e estéticas da tradição, deu vida a estes elementos.

Na fotografia, o olhar cuidadoso é de Martino Piccinini, que esteve presente durante as gravações, somando na iluminação e captação das imagens. Sobre a inspiração do trabalho do grupo, a integrante Tamiris Duarte comenta:

Os aprendizados e vivências musicais e culturais que temos com os mestres e mestras são transformadores, nos trazem ar e vida. Podemos citar como momentos marcantes nessa trajetória os junhos que passamos tocando ao lado de Tião no circuito das festividades de São João em São Luís.” (Tamiris Duarte)

De acordo com a integrante Pâmela Amaro, “o crescimento musical de cada uma de nós é significativo quando estamos junto do mestre Tião Carvalho. Estamos construindo uma referência de Bumba-meu-boi a partir do nosso lugar, o Rio Grande do Sul.” (Pâmela Amaro)

Sobre a versatilidade de Tião Carvalho, Dessa Ferreira comenta:

Quando vi o trabalho do Tião pela primeira vez em Brasília, cidade onde cresci, por volta de 2013, fiquei impressionada e me apaixonei pela sua versatilidade. Um mestre que representa tradições tão antigas, rodeado de jovens e misturando linguagens tradicionais com elementos que não são comuns na tradição, preservando a musicalidade e sonoridade dos tambores com sonoridades de outras linguagens musicais. Sempre achei o Tião muito autêntico e além de tudo muito eclético, um artista completo, um mestre da vida! ” (Dessa Ferreira)

Sobre a experiência produzida pelo grupo, Gutcha Ramil comenta:

As Marias pra mim são um grande espaço de encontros! É o encontro entre nós 5, o nosso encontro individual e coletivo com essas mestras e mestres que marcam e transformam nossa trajetória e vida, como Tião, Martinha, Paraquedas, e tantas outras figuras que compartilham com a gente muito mais do que música! Esse álbum é fruto desses muitos encontros e o que produzimos a partir deles, das nossas experiências pessoais, raciais, de sexualidade de cada integrante, e do nosso lugar comum como mulheres musicistas.” (Gutcha Ramil)

O clipe oficial estará disponível a partir do dia 13 de novembro de 2020 no canal do youtube do grupo Três Marias.

SOBRE O GRUPO
Três Marias é formado por cinco mulheres cantoras, compositoras e instrumentistas que, por diversos caminhos, encontram na música e nas artes da cultura popular a possibilidade de se fortalecer, se expressar, celebrar, e ao mesmo tempo questionar conceitos e padrões culturais relacionados a diversas formas de opressão

O grupo apresenta ao público um repertório autoral, construído coletivamente e com a mentoria de mestras e mestres de culturas tradicionais. Ritmos como o samba de coco, jongo, ijexá, forró, bumba meu boi estão presentes na criação das músicas. A sonoridade do grupo é composta por vozes, diversos instrumentos de percussão (alfaia, congas, ilu, matracas, ganzá, zabumba, djembe, agê, agogô, pandeiro, pandeirão) e cordas (rabeca, contrabaixo e cavaquinho).

A música do grupo é resultado do encontro multicultural entre as integrantes, em parceria com mestras e mestres griôs. Em 2018 o grupo gravou o CD autoral “Não se Cala”, que tem lançamento previsto para 2021.

Crédito: Ramon Moser / DEDS – UFRGS

FICHA TÉCNICA
(áudio)
Voz: Dessa Ferreira
Pandeirões: Tião Carvalho, Dessa Ferreira e Gutcha Ramil
Maracá: Tião Carvalho
Baixo: Tamiris Duarte
Cavaquinho: Pâmela Amaro
Rabeca: Gutcha Ramil
Coro e matracas: Três Marias e Tião Carvalho
Produção musical: Guilherme Ceron
Captação de áudio e mixagem: Wagner Lagemann (Estúdio da Pedra Redonda)
Masterização: Kátia Dotto

(videoclipe)
Direção: Thayan Martins
Co-direção: Tomás Piccinini
Produção: Tomás Piccinini, Thayan Martins e Martino Piccinini
Fotografia, captação de imagens e iluminação: Martino Piccinini
Idealização e roteiro: Thayan Martins
Criação e finalização do cenário em miniatura: Thayan Martins
Criação dos postes e rede elétrica da maquete: Tomás Piccinini
Efeitos Visuais, modelagem e animação 3D, sombras e finalização: Tomás Piccinini
Montagem e colorização: Thayan Martins e Tomás Piccinini

REDES SOCIAIS
Instagram: http://instagram.com/grupotresmarias
Facebook: http://facebook.com/tresmariasbrasil
YouTube: http://youtube.com/tresmariasbrasil

SOBRE A PEDRA REDONDA
O estúdio da Pedra Redonda integra e apoia a cena musical de Porto Alegre há 5 anos e, desde 2018, se organiza enquanto coletivo, espaço cultural e selo, movimentando a cena local em diálogo com países latinos como Uruguai e Argentina.

Produzimos diversas ações educativas e artístico-culturais como oficinas, shows, videoclipes, gravação e distribuição digital. Parte dessa produção está disponível no YouTube na série intitulada ‘Na Pedra Redonda‘.

Em 2018, alguns álbuns gravados e produzidos no estúdio foram premiados com Prêmio Açorianos de Música (POA-RS): Paola Kirst (Prêmio Revelação); Dingo Bells (Melhor disco POP); Thiago Ramil (Melhor compositor); Asé de Fala (indicado a Melhor Espetáculo) e Poty G. Burch (indicado a Revelação Pop).

Em 2020, o disco Tresavento (2020) de Marcelo Delacroix foi nominado ao Grammy Latino de melhor álbum cantor compositor.

Em nossa atuação, procuramos mapear ações que possibilitem o acesso democrático a ferramentas de produção musical de boa qualidade (pré-produção, orientação, criação, captação, divulgação e distribuição), também buscamos nos aproximar de pessoas mais vulneráveis ofertando bolsas para as atividades que propomos, como shows e oficinas.

Assim, fomentamos a cena cultural local através de nossas redes de afeto para construir coletivamente movimentos, buscando minimizar a desigualdade e promover diversidade, estabelecendo novas relações de trabalho e de fazer artístico.


Abaixo os links das plataformas digitais onde pode ser feito o pré-save:

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